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Artistas participam do desfile em comemoração ao último Ano Novo Chinês em Londres. Carl Corte Getty Images

Artistas participam do desfile em comemoração ao último Ano Novo Chinês em Londres. Carl Corte Getty Images

Por que o ano começa no dia 1 de janeiro?

Apesar da predominância global do calendário gregoriano, são muitas as datas que diferentes sociedades dão início ao ciclo anual

O ano novo chinês é comemorado em uma data variável entre os meses de fevereiro e março do nosso calendário gregoriano. O ano novo nos países orientados pelo calendário islâmico começa no mês de Muharram, também em data variável, que em 2015 caiu em 14 de outubro, quando teve início o ano de 1437 da era da Hégira. Na Índia, o ano novo também foi comemorado em novembro passado, na primeira lua nova do mês de Kartika, embora, como no caso dos judeus, entre outros, o mês em que se festeja o ano novo não seja necessariamente o mesmo em que começa oficialmente o calendário, o que mostra que a os povos levam em consideração como passagem de ano é um fenômeno cultural relativamente independente das definições oficiais ou dos ajustes astronômicos que possam existir por trás delas. Apesar da predominância global do calendário gregoriano, adotado inclusive na China desde 1912, continuam a ser muito diferentes as datas e as maneiras como as diversas sociedades encaram o fim e o início de seu ciclo anual. O 1 de janeiro é apenas uma das alternativas.

Para que hoje tenha se tornado possível comemorar o ano novo em 1 de janeiro, teve de existir, antes, o próprio mês de janeiro, que, segundo Plutarco, foi acrescentado ao calendário de Rômulo por seu sucessor, Numa Pompilio, no século VIII antes de Cristo. O calendário utilizado em Roma até então tinha 10 meses lunares e começava na primavera, na lua cheia mais próxima do equinócio de março (os idos de março). Esses 10 meses marcavam um ritmo dificilmente ajustável ao das estações e do ciclo solar, que tinham uma importância evidente para a atividade no campo e haviam sido adotados anteriormente pelos egípcios. Para que houvesse um ajuste melhor, Numa acrescentou o décimo-primeiro mês, ianarius, e o décimo-segundo, februarius. O mês de fevereiro recebeu seu nome das festas de preparação da primavera, chamadas Februa (limpeza, purificação), que, com o tempo, passaram a fazer parte das celebrações das Lupercales. O mês de janeiro, no entanto, diante da ausência de uma referência concreta, foi dedicado ao deus Jano, cujo culto foi ativamente incentivado por Numa. Ainda assim, apesar de ter doze meses, o ano romano continuou a começar na primavera até 153 a. C, um século antes da reforma do Calendário Juliano.

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http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/30/ciencia/1451501260_267462.html