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Vida e obras no centro da Terra

Sem se preocupar com a ciência, a teoria de que o planeta é oco e há um submundo paralelo sobrevive desde o século XVII

Athanasius Kircher criou em 1665, quando não existiam meios científicos para testá-la, uma hipótese completamente absurda: a de que a Terra seria oca e estaria habitada em seu interior. Sua sobrevivência três séculos e meio depois, quando já existem os meios e a ciência sustenta que a Terra não é e nem pode ser oca, talvez surpreendesse o jesuíta alemão. No entanto, se digitarmos a expressão “Terra Oca” no Google, encontraremos mais de 4,5 milhões de resultados.

A sobrevivência fora do campo científico da hipótese de Kircher foi recentemente celebrada por um volume de ensaios que destaca a capacidade excepcional da ideia de uma Terra oca para refletir os anseios de nossa cultura, suas angústias e aspirações. Em Mundo Subterráneo (La Felguera, 2015), Grace Morales, Josep Lapidario e Javier Calvo, entre outros autores, discutem questões como a teratologia marinha, as cartografias infernais e o urbanismo subterrâneo, demonstrando que a ideia continua sendo extraordinariamente produtiva para os escritores.

Apesar disso, e embora inclua um grande fragmento do tratado de Kircher, o livro não explica a sobrevivência da hipótese, nem as sucessivas variações que sofreu nos últimos séculos, assunto que se ocupa David Standish em Hollow Earth: The Long and Curious History of Imagining Strange Lands, Fantastical Creatures, Advanced Civilizations and Marvelous Machines Beneath the Earth Surface (Terra Oca: A longa e curiosa história de imaginar terras estranhas, criaturas fantásticas, civilizações avançadas e máquinas maravilhosas debaixo da superfície da Terra).

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http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/21/cultura/1453373215_799739.html