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“Na África, indaguei ao rei da minha etnia por que nos venderam como escravos”

Arquiteto foi um dos brasileiros convidados por produtora para fazer um exame de DNA e identificar suas origens africanas

“Somos o único grupo populacional no Brasil que não sabe de onde vem”, queixa-se o arquiteto baiano Zulu Araújo, de 63 anos, em referência à população negra descendente dos 4,8 milhões de africanos escravizados recebidos pelo país entre os séculos 16 e 19. Araújo foi um dos 150 brasileiros convidados pela produtora Cine Group para fazer um exame de DNA e identificar suas origens africanas.

Ele descobriu ser descendente do povo tikar, de Camarões, e, como parte da série televisiva “Brasil: DNA África”, visitou o local para conhecer a terra de seus antepassados. “A viagem me completou enquanto cidadão”, diz Araújo. Leia, abaixo, seu depoimento à BBC Brasil:

Sempre tive a consciência de que um dos maiores crimes contra a população negra não foi nem a tortura, nem a violência: foi retirar a possibilidade de que conhecêssemos nossas origens. Somos o único grupo populacional no Brasil que não sabe de onde vem.

Meu sobrenome, Mendes de Araújo, é português. Carrego o nome da família que escravizou meus ancestrais, pois o ‘de’ indica posse. Também carrego o nome de um povo africano, Zulu.

Leia mais:
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2016-01-14/na-africa-indaguei-ao-rei-da-minha-etnia-por-que-nos-venderam-como-escravos.html