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O dia em que o cinema chegou a uma aldeia indígena colombiana

Cerca de 500 arhuacos, habitantes de Nabusimake, nas montanhas do norte do país, assistem pela primeira vez, emocionados e entre risos, a uma produção cinematográfica

O guarda da prisão abre a porta cinza de metal para que os quatro prisioneiros fiquem em liberdade. Em Nabusimake, uma reserva indígena de cabanas circulares de barro, com telhados de palha e bases de pedra, rodeada pela Sierra Nevada de Santa Marta, no norte da Colômbia, quem está preso não deve sofrer. O encarceramento é sinônimo de reflexão, de mudança, mas nunca de punição. Vai para lá quem rompeu algum pacto sagrado com os arhuacos, sua comunidade. Permanecem durante vários dias ou meses até que seu corpo e seu espírito estejam prontos para voltar a conviver com os 8.000 indígenas –de um total de 47.000 existem no país–, que habitam no “coração do mundo”, como eles chamam Nabusimake.

Naquele domingo, os prisioneiros, que chegaram lá por roubar comida ou querer estar com a mulher de outro indígena, cruzam a porta cinza rumo à liberdade não porque tenham concluído o período de meditação, mas porque serão testemunhas da primeira vez que sua aldeia estará diante de uma tela de cinema. Acostumados a viver com a luz dada pelo sol e pela lua, uma tela gigante destoa do cotidiano. Aquilo de que tanto ouviram falar há meses está diante de seus olhos. Trata-se da projeção de Colombia, magia salvaje [Colômbia, magia selvagem], documentário que explora as paisagens colombianas mais desconhecidas, um evento organizado pela ONG Ambulante, que se dedica à difusão de documentários no país. Os adultos conversam entre si e as crianças ficam de boca aberta frente à novidade da imagem animada.

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http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/09/cultura/1441827741_523547.html

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