A profecia autorrealizável

Com menos vagas, baixo investimento e condições ruins de ensino, atrair e manter jovens e adultos na escola é tarefa penosa

Por Cinthia Rodrigues
O sociólogo Robert Merton cunhou, em 1949, a expressão “profecia autorrealizável” para explicar como a previsão de que algo negativo acontecerá influencia as ações dos envolvidos e acaba fazendo com que o prognóstico se realize. O anúncio de que um banco vai quebrar, por exemplo, levaria todos os clientes a sacar seu saldo e a instituição à falência. A expressão foi emprestada por especialistas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para explicar como a modalidade que tem o maior público-alvo do Brasil responde por apenas 10% do total de matrículas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 65 milhões de brasileiros acima de 15 anos não têm escolaridade ou não completaram o Ensino Fundamental. O número equivale a 45% de toda a população na faixa etária e constitui a maior parte do público para EJA. Outros 22 milhões de adultos acima de 18 anos poderiam ainda ser matriculados nas classes de Ensino Médio. O contingente é tão grande que não caberia em todas as escolas públicas e privadas do Brasil, que somam juntas 50 milhões de vagas. O total de matrículas, no entanto cai sucessivamente há sete anos e passou de 4,5 milhões, em 2007, para menos de 3,8 milhões, em 2013…

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